quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A QUESTÃO DOS GRAFEMAS VOCÁLICOS E CONSONÂNTICOS NO ACORDO ORTOGRÁFICO



Ihelda Maria Aragão**

Ao longo dos anos a ortografia oficial vem passando por diversas mudanças, que ainda não atingiram o grau de unificação entre os países lusófonos.
No inicio essas mudanças ortográficas, só levavam em conta Brasil e Portugal. A partir de 1986 é o que, os países africanos passaram a ser incluídos nesse processo.
A questão principal desses desacordos está em Portugal querer uma unificação absoluta, onde prevaleçam mudanças que favoreçam apenas, o vocabulário lusitano, e que o Brasil e os demais países, que falam português, passem a adotar princípios já caídos em desuso, ou princípios que fogem a realidade do vocabulário oficial.
Em todas as reformas até hoje propostas, as mudanças são drásticas, atingem os 100% do vocabulário oficial geral da língua, o que leva, de certa forma, a uma perda de memória ortográfica relevante.
O que precisa ser feito é procurar uma versão de unificação que fixe e delimite as divergências existentes, mas que faça prevalecer o que é próprio de cada língua, pois o que pode vir a acontecer é que as gerações futuras, nunca cheguem a conhecer a própria língua.
Quando se trata de falar sobre a questão dos grafemas vocálicos e consonânticos no acordo ortográfico, vale salientar que o que vai ser discutido são as novas regras referentes ao uso das vogais e das consoantes. As alterações que constam no texto do acordo, trazem mudanças de forma (estrutura) e de conteúdo.
Tomando o acordo para estudo analisaremos sete bases, que se referem pormenorizadamente a questão dos vocábulos vocálicos e consonânticos. Na base I o texto se refere ao alfabeto e a inclusão nele, de algumas letras que já fazem parte do vocabulário português, por conta dos estrangeirismos. As letras são: K, W e Y. Estas serão usadas nos seguintes aspectos:


2º) As letras K, W e Y usam-se nos seguintes casos especiais:
a) Em antropónimos/antropônimos originários de outras línguas e seus derivados: Franklin, frankliano; Kant, kantismo; Darwin, darwinismo [...];
b) Em topónimos/topônimos originários de outras línguas e seus derivados: Kwanza; Kwuait, Kuwaitiano, Malawi, malawiano;
c) Em siglas, símbolos e mesmo em palavras dotadas como unidades de medida de curso internacional: TWA, KLM; K-potássio (de kalium), W – oeste (West); kg quilograma [...]. (Base I, 2º, a, b e c).


Esse fenômeno já vem acontecendo a algum tempo em nosso país, devido ao processo de crescimento do mesmo e a influência de outros países nesse crescimento. Os estrangeirismos já fazem parte do nosso idioma. São habitualmente usados em palavras de origem estrangeira, que em alguns casos já ganharam sinônimos em português. Com isso o acordo ortográfico torna oficialmente as letras k, w e y, como pertencentes ao alfabeto oficial, deixando claro que palavras de origem estrangeira continuaram sendo escritas da forma em que são utilizadas em sua língua oficial, já que a mudança só ocorre em países lusófonos. Os casos mais comuns dos usos das letras k, w e y em nosso vocabulário oficial, são em nomes de pessoas, fábricas de grande porte, nome de instituições e etc.
Na base II o acordo ortográfico passa a discutir o uso da letra h, que em alguns casos continua sendo utilizada por força da etimologia, isto é, origem histórica da palavra como é o caso de: “[...] haver, hélice, hera, hoje, hora, homem, humor”. (Base II, 1º, a). Em outros casos, porém é utilizada por causa do convencionalismo, de um vocabulário menos formal: “[...] hã? hem! hum!”. (Base II, 1º, b). E mantêm-se ainda nos casos onde os elementos ligados por meio da composição são separados por hífen, como é o caso de anti-higiênico. Ou quando é usado em interjeições: ah!
Os casos em que se suprimem o h são quando apesar, “[...] da etimologia a sua supressão já está consagrada pelo uso: erva, em vez de ervaçal [...]”. (Base II, 2º, a). Ou ainda nos casos de formação de palavras. Como é caso da composição, onde há a união de dois ou mais radicais ou duas ou mais palavras. Por meio da aglutinação onde ocorre à junção de duas palavras compostas onde não conservam a mesma pronúncia das palavras primitivas e há a perda de elementos: desarmonia (des + harmonia).
Na base III o acordo ortográfico passa a discutir a questão da homofonia de certos grafemas consonânticos. Nessa base a discussão se dá em torno da divisão de algumas palavras por grupos com sons parecidos, porém com grafias diferentes, que na verdade não explica muita coisa e deixa muitas interrogações. No primeiro grupo temos as palavras escritas com ch e x, com som de [x]: “[...] achar, archote, bucha, capacho; [...] ameixa, anexim, baixei [...]”. (Base III, 1º). Dividem as palavras por grupos, mas não explicam porque as palavras com x e ch, têm os sons parecidos nesses casos. Usa-se x em palavras iniciadas pela silaba (-me) (mexerico); após ditongos (abaixar) e após sílabas iniciadas por en- (enxada). As palavras escritas com ch são as que possuem o sufixo: (-acho), (-achão), (-icho) e (-ucho): cambalacho, bonachão, rabicho e cartucho; depois de (-n): concha; e nas palavras derivadas de outras que já tenham ch: aconchegar (chegar).
Com relação à homofonia das palavras escritas com g e com j com som de [j] temos: “[...] adágio, alfageme, Álgebra, [...] adjetivo, ajeitar, [...], canjerê [...]”. (Base III, 2º). As palavras escritas com e g e j seguem as mesmas ordenações que as outras, o acordo as organiza em grupo e nada é explicado. Nas escritas com g ocorrem quando possuem os sufixos: (-agem), (-igem), (ugem): vertigem, viagem; nas terminações (-gio), (-gia): colégio, nostalgia; (-ágio), (-égio), (-ígio), (-ógio), (-úgio), (-ege), (-igem) e (-ugem) e em verbos terminados em (–ger), (-gir): eleger, agir. As palavras escritas com j vêm de vocábulos de origem árabe, africana ou ameríndia como: canjica, cafajeste e canjerê; de verbos terminados por (-jar) e (-jear): despejar e gorjear; nas terminações (–aje): laje; e em derivados de palavras que tenham j em seu radical: laje – lajedo.
Um outro caso é o das palavras do grupo com som de [s]: s, ss, c, ç e x: “[...] Distinção gráfica entre as letras s, ss, c, ç e x, que representam sibilantes surdas: ânsia, ascensão, [...] valsa, [...] devassar, dossel, [...] cebola, cereal, [...] açúcar, [...] máximo, próximo [...]”. (Base III, 3º).
Grafam-se com s: substantivos derivados de verbos terminados em: (ergir), (erter), (pelir): submergir (submersão), converter (conversão), repelir (repulsa); terminadas com o sufixo (-ense): botafoguense. No caso dos vocábulos escritos com ss ocorrem em: substantivos derivados de verbos terminados em: (ceder), (gredir), (primir), (tir): conceder (concessão), agredir (agressão), comprimir (compressão), permitir (permissão); em nomes relacionados a verbos cujos radicais terminam em (-gred), (-ced), (-met), (-prim) progredir, interceder, comprometer, oprimir; em verbos terminados em (-tir): permitir e em sufixos ou verbos terminados em uir: possuir. No caso das palavras escritas c: quando for possível a correlação ND – NS: recender – recensão; depois de ditongos: coice. As escritas com ç ocorrem: em palavras tupi guarani e africana: açaí, paçoca; em derivados do verbo ter: (reter) retenção; em sufixos como: barcaça; com o sufixo ção, formador de substantivo a partir de verbo: consumar (consumação). Os vocábulos escritos com x ocorrem em palavras iniciadas pela letra e, seguida de x e outra consoante: excepcional, excelente, explodir.
O quarto caso das palavras homófonas ocorre na: “[...] Distinção gráfica entre s de fim de sílaba (inicial ou interior) e x e z com idêntico valor fónico/fônico: adestrar, Calisto, escusar, [...] extraordinário, inextricável, [...] infelizmente”. (Base III, 4º). Estas palavras possuem o som de [s], e podem se dividir em dois casos. No primeiro ocorre em final de silaba, sem ser final de palavra, onde o x que tem valor de s, e se torna s, ao ser precedido i ou u. Ex.: misto, ao invés de mixto; justalinear ao invés de juxtalinear. No segundo caso as palavras escritas com z terão som de s, se forem advérbios terminados em –mente, e em final de silaba seguida de consoante. Ex.: capazmente. Se não é o caso, o s toma o lugar do z. Ex.: Biscaia ao invés de Bizcaia.
No penúltimo caso temos as palavras grafadas com s, x e z, em final de palavras com o mesmo som de [s]: “[...] aguarrás, aliás; [...] Félix, Fénix; [...] matiz, petiz [...]”. (Base III, 5º). Estas ocorrem depois de vogais, mas existe uma exceção não é possível ocorrer z equivalente a s é em palavras oxítonas. Ex.: Cádis, e não Cádiz.
No último caso temos as palavras grafadas com s, x e z interiores, que representam segundo o (Base III, 6º) as sibilantes sonoras: “[...] analisar, anestesia, asa; [...] exalar, exemplo, exibir; [...] fuzileiro, Galiza, guizo [...]”. Ou seja, com som de [z]. As escritas com s ocorrem em palavras que representam adjetivos de origem: escocês – escocesa; em palavras com as desinências de feminino em esa/isa: princesa, poetisa; em adjetivos terminados em oso (a): meloso (a), jeitoso (a); depois de ditongos como: pausa; em substantivos derivados de verbos terminados em: ender – defender (defesa); em verbos terminados em s: paralisar (paraliso); em diminutivos que tenham em seus radicais s: país (paisinho). Os vocábulos grafados com x ocorrem em palavras iniciadas pela letra e seguida x seguida de vogal e em com derivados: exame, exército, exercício, exibido, exorbitante. Já as com z ocorrem: em substantivos abstratos derivados de adjetivos terminados em (-ez) ou (–eza): moleza, fortaleza, honradez; em verbos terminados em (-zer), (-zir) e (-izar) derivados de palavras primitivas com s: cozer, deslizar; em aumentativos ou diminutivos: copázio, papelzinho, homenzarrão; e em com a desinência (-triz): embaixatriz.
Na base IV o acordo ortográfico passa a analisar as sequências consonânticas. Esta base comporta uma das maiores críticas relacionados a este novo acordo, pois é aqui que a frequência de modificações mais ocorrem. Pois, com o novo acordo algumas grafias desaparecem, outras voltam a aparecer, ou se conservam e em outros casos usa-se a dupla pronúncia.
Os casos estudados nessa base referem-se às sequências: cc, cç, ct; pc, pç e pt. Nos casos onde elas se conservam, ou onde se prescrevem: “[...] que são invariavelmente proferidos nas pronúncias cultas da língua: [...] convicção, convicto; [...] ficção, [...] pacto, [...] erupção, eucalipto, núpcias [...]”. (Base IV, 1º a). Nestes casos as sequências não são abolidas, por já serem consagradas em todo o espaço geográfico da língua portuguesa, portanto não podem deixar de serem grafadas. Os casos onde se excluem as sequências, as regras chamadas de proscritivas ocorrem nas sequências: “[...] que são invarialmente mudos nas pronúncias cultas da língua: ação, acionar, afetivo, aflição, [...] coleção, direção, diretor, [...] batizar, Egito [...]”. (Base IV, 1º b). O caso de eliminação se dá, pois nenhuma dessas sequências de consoantes é proferida há muito tempo, aqui no Brasil, isto é, já foram abolidas em regras passadas. Ex.: acção, afectivo etc. O que não ocorre em Portugal, mas agora por questão de coerência resolveram abolir por completo.
O terceiro caso abrange as sequências de uso facultativo, pode ou não ser usadas: “[...] quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento: aspecto e aspeto, [...] cacto e cato [...]”. (Base IV, 1º c). Estes casos ocorrem por causa de uma oscilação de pronúncia, que podem ocorrer no interior da norma culta. Ex.: sector ou setor; ou em normas cultas distintas. Ex.: receção – Portugal e recepção – Brasil.
No quarto caso com as sequências interiores mpc, ocorre o mesmo que ocorre no primeiro caso elas se conservam aqui no Brasil, e após a eliminação do p o m passa a n e então a escrita de Portugal passa a ser igual a do Brasil. Ex.: assumpção – assunção. No parágrafo segundo dessa mesma regra, o uso é também facultativo. O uso ocorre ou não pelo mesmo motivo do acontece no parágrafo 1º c.
Na base V o estudo é das vogais átonas. No primeiro parágrafo temos:


[...] O emprego do e do i, assim como do o e do u em silaba tônica, regulam-se pela etimologia e por particularidades da história das palavras [...]:
a) Com e e i: [...]balnear, boreal; [...] arrieiro, artilharia [...].
b) Com o e u: abolir [...] mágoa, névoa, [...] água, aluvião, [...] régua, tábua [...]. (Base V, 1º a e b).


O uso dessas vogais átonas ocorre por causa da etimologia das palavras, desenvolvimento ao longo da história e peculiaridades variadas. Para conhecer a grafia correta dessas palavras é uso de vocabulários e dicionários. No segundo caso ocorre por motivos variados:


[...] a) Escrevem-se com e, e não com i, antes da silaba tónica/tônica, os substantivos e adjetivos [...] de substantivos terminados em –elo e –eia, ou com eles estão em relação direta [...]: aldeão, aldeola, aldeota por aldeia; [...].
b) Escrevem-se igualmente com e, antes de vogal ou ditongo da silaba tónica/tônica, os derivados de palavras que terminam em e acentuado (o qual pode representar um antigo hiato: ea, ee): galeão, galeota, galeote, de galé [...].
c) Escrevem-se com i, e não com e, antes de sílaba tónica/tônica, os adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos mistos de formação vernácula –iano e – iense [...] açoriano, acriano (de Acre) [...].
d) Uniformizam-se com as terminações –io e –ia (átonas), em vez de –eo e –ea, os substantivos que constituem variações, obtidos por ampliação, de outros substantivos terminados vogal: cúmio (popular), de cume; [...].
e) Os verbos em –ear podem distinguir-se praticamente, [...] dos verbos em –iar, quer pela formação, quer pela conjugação e formação ao mesmo tempo [...] estão no primeiro caso todos os verbos que se prendem a substantivos em –elo ou –eia [...]: aldear, por aldeia; [...]. Estão no segundo caso todos os verbos que têm normalmente flexões rizotónicas/rizotônicas em –cio, -eias, etc.: clarear [...].
f) Não é licito o emprego do u final átono em palavras de origem latina. [...]: moto, em vez de mótu [...].
g) Os verbos em –oar distinguem-se praticamente dos verbos em –uar pela sua conjugação nas formas rizotónicas/rizotônicas, que têm sempre o na sílaba acentuada: abençoar com o, como abençôo, etc.; [...]. (Base V, 1º e 2º).


No primeiro caso só se escrevem com e os substantivos ou adjetivos que são derivados de substantivos terminados em -elo ou -eia. No segundo caso grafam-se com e também, as palavras derivadas de vocábulos que possuem e acentuado e ante de vogal ou ditongo. No terceiro caso grafam-se com i os adjetivos e substantivos que tenham palavras derivadas de sufixos mistos. No quarto caso também se grafam com i os substantivos que são chamados variantes, obtidas de ampliação de substantivos terminados em vogal. No quinto caso distingue-se os verbos terminados em ear de iar, pela formação, pela conjugação e pela formação e conjugação ao mesmo tempo. no sexto caso não se grafam um átono em final de palavras de origem latina. No sexto e ultimo caso os verbos terminados em –oar distinguem-se os verbos terminados em –uar, pela conjugação rizotônica, isto é, que se acentuam o radical.
Na base VI acontece o estudo das vogais nasais, no primeiro caso temos o uso do til para marcar a nasalidade:


[...] ocorre em fim de palavra, ou em fim de elemento seguida de hífen, representa-se a nasalidade por til, se essa vogal é de timbre a; por m, se possui qualquer timbre e termina a palavra; e por n se é de timbre diverso de a e está seguida de s: afã, [...] clarim, [...] flautins [...]. (Base VI, 1º).


Ocorrerá uma vogal nasal se aparecer em fim de palavra ou seguida de hífen, assim será representada por til: afã; se não houver timbre definido, usa-se m para marcar a nasalidade: clarim; e caso a nasalidade não possua timbre a e se estiver seguida de s será marcada por n: flautins. No caso seguinte a nasalidade ã é transmitida a advérbios terminados em mente e a derivados que tenham sufixos iniciados por z: “[...] Os vocábulos terminados em -ã transmitem esta representação do a nasal aos advérbios em –mente [...] assim como a derivados [...] iniciados por z: cristãmente, [...] manhãzinha [...]. (Base VI, 2º).
Na base VII o estudo é dos ditongos. O primeiro caso que estudaremos são os ditongos orais, que podem ser tônicos ou átonos. Sendo que o segundo elemento seja i ou u. Ex. braçais, caixote, deveis etc. No segundo parágrafo os ditongos orais passam a ser analisados pormenorizadamente:


[...] o ditongo grafado ui, e não a seqüência vocálica grafada ue, que se emprega nas formas dos verbos em –uir: constituis, influis [...].
b) [...] o ditongo grafado ui que representa sempre, em palavras de origem latina, a união de um u a um i átono seguinte. Não divergem, portanto, formas como fluido de formas como gratuito. [...]: fluídico, fluidez [...].
c) Além dos ditongos orais [...] os quais são todos decrescentes, admite-se, [...] a existência de ditongos crescentes. Podem considerar-se [...] as sequências vocálicas pós-tónicas/pós-tónicas, [...] ea, eo, ia, ie, io, oa, ua, ue, uo: áureas, áureo, calúnia [...].


Os casos acima mostram regras prontas e acabadas e não discutidas. No primeiro caso temos a informação de que os verbos no presente do indicativo na 2ª e 3ª pessoa do singular e na 2ª pessoa do indicativo se escrevem uir não em uer. No segundo caso os ditongos ui só são grafados em palavras e origem latina, isto é, análise etimológica. E no último caso fazem-se conhecer que além de formas decrescentes existem também formas crescentes. No terceiro caso o estudo é dos ditongos nasais. Estes ocorrem das seguintes formas: a primeira são os ditongos representados por til e semivogal: ãe, ãi, ão e õe. Ex.: cães, cãibas, tão e Camões. Na segunda os ditongos são representados por uma vogal seguida de consoante nasal m: am e em: Ex.: am (sempre átono) amam; em (tônico ou átono) cem, devem.
Ao longo do que foi estudo o que se percebe é que novas regras são impostas, outras permanecem e em algumas o uso é facultativo, mas a preocupação principal, que é a unificação ainda não houve, pois não é possível unificar uma língua tão cheia de exceções.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Acordo ortográfico da Língua Portuguesa. In Martins, Vicente. Curso de especialização em Língua Portuguesa e Literatura. Disciplina: Ortografia e o ensino do português. 2009.



* Texto elaborado a partir estudos feitos sobre o novo Acordo Ortográfico 2008, para critério de avaliação na Disciplina: Ortografia e o Ensino do Português, ministrada pelo professor Vicente Martins, no Curso de Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA.
** Graduada em Letras Habilitação em Língua Portuguesa e Suas Respectivas Literaturas pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA.

O PODER ORTOGRÁFICO

















Eita,professora que agora a coisa é séria,já deu para notar.Falar ficou diferente e escrever muito mais.Tem muito nome feio,menino!Sem contar que muitas pessoas ainda insistem em usar palavras tão distantes do nosso cotidiano para alfabetizar que dar pena!Palavras que as crianças ficam tontas só de pensar: Como será esta coisa que estão querendo me ensinar o nome?
-Eu não sei o que é pera nem mesmo quando era pêra. Pera aí!O metrô também mudou, agora pode ser só metro, a língua suporta o metro e o metrô e o metro como é agora?
-Continua com 100 cm.
- E que tamanho agora é o metro?
-O de correr nos trilhos ou o de medir os trilhos?
Tenha paciência, logo haveremos de compreender o que está acontecendo com a nossa língua. Eita,bicha que não para!Pensava que tinha um acento em para?Tem mais não, rapaz. Ora se nem o metrô, se quiserem pode não ter mais, imagina para. Agora as homógrafas são do mesmo jeito. É de arrepiar o pelo. Ah!Ninguém mais a partir de agora tem mais pêlo como antigamente. Isto quase alegrou o Tony Ramos. Mas espere, ninguém vai ficar pelado não, é que apenas o acento do pelo foi raspado, se foi juntamente com muitos outros.
As pessoas veem sempre o que teem, assim mesmo sem precisar mais de acento. Pode até dar enjoo este voo meio paranoico do nosso idioma, mais é assim mesmo. E vou logo dizendo: Fique tranquilo que linguiça agora é assim também. Passatempo ainda tem quem faça, mas sem o hífen. Isto já está causando grande infeção em nossa língua. Ah!Anti-inflamatório,anti-inflacionário tem hífen ,anti-heróico também.Já seminu,seminovo,semimorto e radiorrepórter,se escreve assim mesmo.
A nossa língua é que nem o Brasil, tem sempre um jeitinho...
O alfabeto é generoso, como coração de mãe. Agora as três letras estrangeiras que não sabiam onde ficar são acolhidas também como nossa. Esta nossa fama de hospitaleiros... Será se nos outros lugares onde se fala o português é assim?
Estamos fazendo mais bonito que muitos países do mundo; com diplomacia, estamos além das pessoas, acolhendo também as letras. Sem constrangimento algum nos aeroportos ou embaixadas.
-E a nossa língua não é mesmo assim, menino, cheia de pedaços de outras!O k, o w e o y devem servir para alguma coisa, vamos aproveitá-lo.
_Tenho uma dúvida: Se os metrôs podem ser sem acento, pois não são mais obrigados e se de repente os fabricantes decidirem fazê-los só assim a partir das novas fabricações, onde é que as pessoas vão sentadas?
_Sinceramente não sei quais dos dois acentos faz mais falta!
-E se alguém me mandar um e-mail perguntando quantos metros tem um metro, como devo responder? E você sabe que este povo de internet só escreve pela metade. Vc é igual a você, kd é cadê,kbç é cabeça,tc é teclar e quando querem dizer que estão rindo de alguma coisa é só escrever kkk ou rsrsrs.
_ Você acha isto estranho?
-Ah! Isto é para entender que entre escrever e falar tem um grande abismo.
O bebê,para não desidratar,deve beber à vontade,sem correr o risco de está errado,enquanto pode ser bebé sem nenhum problema sexual para ele.E o bidê,bidé.Pode também.
O cara pode lutar, sem que seja outra luta, caratê ou caraté. Só fica meio esquisito.
-Já pensou eu perguntando:
_Ei,você luta caraté?Se não, pode fazer crochê ou croché. O nenê,nem precisa que a mãe deixe,pode ser nené.
-E você sabia também que o purê de batata, sem se quer precisar cozer mais nem um pouco ou de nenhum outro tempero pode ser purê?E todos estão no ponto certo.
O apoio, coitado, perdeu o apoio do acento agudo. Também não era para menos, até as assembleias,as duas:a de Deus e a casa do povo,nenhuma mais tem acento.Embora que para se assentar o povo sempre dar um jeito e se vira por lá.
Não sei se é reflexo da crise mundial, mas nem na Galileia, nas Coreias,em nenhuma das duas.Na do sul democrática, nem na do norte comunista,também não se coloca mais acento.A hebreia estranhou este fato,só não sei se aceitou totalmente.Ora,se até a azarada da jiboia,que já não tinha muita coisa,nem pernas nem braços,agora perdeu também o acento.Eita miserável que sofre!
Pois é, na língua portuguesa é assim: Uns teem uma brilhante ideia e fazem disto uma joia enquanto outros ficam paranoicos. E neste parágrafo somente a língua tem acento. Se colocar nas outras fica errado.
Acho que os jovens terão menos problemas com estas mudanças que os idosos, pois imagino que estes leem e creem mais que aqueles, que são mais supersticiosos e cheios de mitos para mudar. Perdoo e abençoo quem discordar. Na verdade, eu só queria dizer que nestas palavras também acento não há mais. O acordo ortográfico comeu. Dar para aguentar?Mas você está bem lembrado que esta história de mudança na nossa língua é antiguíssima?
_Pois é, muitos eloquentes frequentemente já trataram do assunto e é óbvio que mais cedo ou mais tarde isto iria acontecer.Tão óbvio,quanto cinquenta mais cinquenta é igual a cem.Então agora é o tempo do enxágue, mesmo que ensangüentado,dos termos velhos da língua portuguesa.Estranho mesmo, professora é este acento, meio sem necessidade ou sentido em enxágue.Deveria ter sido enxaguado juntamente com o trema.Quer ver a senhora a pronuncie sem o tal acento,note se faz alguma diferença significativa e se tem algum prejuízo real ao nosso idioma!
Enquanto isto ¨falta¨ um acento em Petrobras. Tudo bem que é uma palavra nascida da junção de prefixos, mas é uma palavra.
.As consequências de tudo isto, todos sentiremos em maior ou menor grau, até mesmo os deliquentes.Principalmente nesta história de aprender a escrever sem trema.Bem que às vezes acho isto um pouco desumano,mas o que posso fazer?Precisamos mesmo de mudanças, embora que não somente no idioma.
Enquanto não compreendo tudo fico aqui na antessala,lendo,me aprofundando ou contemplando meu autorretrato,mesmo que alguém diga que isto seja antissocial ou contrassenso,eu lá me importo,eu não acho e pronto!Antissocial na verdade, foi o que os antiamericanos fizeram com o Bush, jogaram um sapato nele,você viu? Se pega...Contrassenso é a briga besta das Coreias,a do norte buscando sua autoafirmação querendo lançar míssil sobre a do sul,passando pelo espaço antiaéreo do Japão que por sua vez ameaça derrubá-lo,caso o ditador ouse este gesto neoimpressionista rumo à guerra.Este moço,Kim Jong-il,está precisando é ler alguma coisa nova,diferente,como nós de língua portuguesa estamos fazendo.Contemplar a natureza,descansar a mente,procurar autoajuda.Relaxar.E não querer ser eternamente um mandachuva,fazendo do seu povo parachoque sem paralama dos conflitos,que na verdade começam dentro dos corações dos homens que não sabem o que é poder.
-Rapaz, poder não cai do céu de paraquedas não. É luta sempre pelo bem, é serviço para melhorar o mundo.
-Pois é, é nisto que eu insisto. E trazendo para o campo da educação, creio ser possível se trabalhar estes temas na escola, sempre considerando esta relação professor-aluno em vistas da melhoria do ensino-aprendizagem. Talvez com temas mais interdisciplinares e de interesse interclasse. Quem sabe assim, estejamos tão mais bem perto da sonhada ligação: Liberdade-Igualdade-Fraternidade.
O que escrevera o poeta tempos atrás sobre o avançar das horas dizendo que ¨o tempo não pára¨ embora hoje esteja ultrapassado,se bem que as horas continuam no mesmo ritmo de antes,só que agora na verdade,o tempo não para mesmo!Tanto não para que na sua evolução insaciável comeu os acentos e outros de nossos signos também, enquanto fez nascerem outros. Mesmo assim o termo do poeta, agora atualizado na grafia, precisa continuar com seu destaque.
Ora, isso deve nos servir de lição: Se a língua portuguesa mudou juntamente com algumas palavras enquanto outras renasceram, então é certo que também o mundo inteiro e nós igualmente podemos mudar.
Viva o acordo ortográfico que fez grandes mudanças no mundo e em nós!

Apolinário da Cunha.
Professor.

“A questão do emprego do hífen no Acordo Ortográfico”




Sobral, maio de 2009.


Joziane Paulo Albuquerque Lima

Introdução

Neste artigo, trataremos da questão da hifenização no novo Acordo Ortográfico. Objetivando simplificar as regras ortográficas da língua portuguesa, o texto do acordo, diminuiu o número de regras quanto ao emprego do hífen. No entanto, isso não significa que ficou mais fácil usá-lo, uma vez que, temos que nos adaptar às novas normas e abandonar as que foram invalidadas. Pretendemos, pois, com esse estudo, alcançar alguns objetivos: apresentar e discutir a questão do emprego do hífen no Acordo; explicar as razões das dificuldades no uso do hífen; analisar o porquê que o hífen é o maior problema do acordo; e discutir os critérios utilizados para normatizar o emprego desse tracinho entre as palavras. A idéia central desse artigo é a discussão das regras empregadas para regularizar a hifenização na nossa língua. No entanto, nos prenderemos aos casos mais especiais.

O emprego do hífen após o Acordo

O hífen, antes e depois do acordo, constitui uma das maiores dúvidas enfrentadas pelos usuários da língua. Por que o hífen é um dos maiores obstáculos à escrita correta? Quais as suas funções?
As antigas línguas não faziam uso desse diacrítico, sendo que as palavras eram escritas sem espaço entre si. E segundo um texto publicado na página online do Jornal O Estado de São Paulo (01/02/2009) foram os primeiros ortógrafos responsáveis pelas dificuldades impostas pelo emprego do hífen. Ainda argumenta que os outros diacríticos como o acento agudo, o circunflexo, o acento grave, têm uma função bem específica. Já o hífen, não tem uma função bem definida, sendo objeto de dúvida para os usuários da língua. Sobre essa questão encontramos em Bechara (2009), em uma entrevista à Agência Estado, quando lhe é perguntado “qual questão tirou o seu sono?” No que o filólogo responde

Foi o hífen. Quando você usa o acento agudo, ele tem uma função específica. Você só o usa para indicar na sílaba tônica a vogal aberta, como em “café”. Se a vogal é fechada, você usa circunflexo, como na palavra “você”. Quando chega a vez do hífen, ele tem varias funções. Serve também para indicar a fonética da palavra ou a sua classe gramatical. (BECHARA, In: Agência Estado, online, 2009).

Como estamos percebendo, as dificuldades impostas pelo emprego do hífen estão nas suas variadas funções que assumem na língua, não tendo, pois uma função bem definida. Também verificamos que as regras para a hifenização são, em muitos casos, arbitrárias, não tendo justificativas plausíveis. Assim sendo, a normatização do hífen constitui um dos maiores desafios para a ortografia. É o que lemos no texto do Jornal O Estado de São Paulo

No caso do hífen foram os ortógrafos acumulando funções distintivas de natureza fonética, gramatical (distinção de classes de palavras), semânticas e até estilísticas, e como não se serve bem a dois (muito menos a vários) senhores, o emprego do hífen passou a ser um desafio para a normatização pelos ortógrafos, e uma infernização para os utentes que dele precisavam ou assinalar, ou deixar de fazê-lo, na escrita. (O ESTADO DE SÃO PAULO (SP) 01,02,2009).

No entanto, ainda segundo o mesmo jornal, o problema da hifenização não é exclusivo de nossa língua. Os franceses, ao se servirem do hífen para atender as necessidades da língua que passava por transformações, decorrentes dos neologismos, já alertavam para as dificuldades que o traço de união de palavras traria. Diante das dificuldades, chegaram até a defender a eliminação do hífen, “em favor da simples sucessão dos elementos integrantes ou a soldura deles em alterações gráficas do primeiro elemento quando terminava por letra muda”. (ibidem).
Diante do que espomos, é interessante nos perguntarmos: não seria o caso de eliminarmos o hífen e assim evitarmos confusões e complicações na escrita? Parece-nos que a questão não é tão simples assim. No entanto, essa idéia já foi defendida por portugueses.

Entre as razões que justificariam a supressão do hífen estavam as inúmeras dificuldades criadas por ele no plural dos compostos, e na raiz dessas discussões estaria o eco da solução apresentada em Portugal por Santos valente e Francisco de Almeida, em 1986: “As palavras assim justapostas podem unir-se numa só sem precisão do hífen, quando a primeira é invariável (...)” (Orthographia Portugueza, pág. 64n.1, com atualização da grafia). A idéia chegou até ao texto do acordo de 1986, preliminar do texto aprovado em 1990. (ibidem).

Porém, o projeto de acordo de 1986 foi amplamente contestado pela opinião pública de Portugal, que ninguém ousou aprová-lo. Talvez porque o texto ortográfico de 1986 fosse muito audacioso, propondo mudanças significativas na língua, contrariando os tradicionais portugueses.

O hífen nos compostos (base XV)

Como o acordo ortográfico de 1990 não eliminou o hífen, apenas reduziu o número de regras, veremos o que continua e, especialmente, as principais mudanças no que se refere ao emprego do hífen. Empregamos o hífen em palavras compostas quando o primeiro elemento é substantivo ou adjetivo, verbo, advérbio ou numeral. A base XV do acordo ortográfico começa

Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido: ano-luz, arce-bispo, arco-íris, decreto-lei, és-sueste, médico-cirurgião, (...).
(1.º, BASE XV).

No entanto, após a nota, o texto faz a seguinte observação “Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraqueda, paraquedista, etc”. (Obs.:, 1.º, BASE XV). O texto do acordo já foi criticado por quase sempre apresentar poucos exemplos, limitando-se aos etc’.s, como é o caso da observação da primeira nota da base XV, em que apresenta uma pequena lista de compostos aglutinados. Ao tratar dessa maneira a questão da hifenização, o acordo impõe dificuldades, como tão bem assinalou O Estado de São Paulo

O cuidado na redação de “certos compostos” e “em certa medida” revela a falta de estudos preliminares na área da lexicologia diacrônica e sincrônica do português para determinar o afastamento da “noção de composição”dos termos listados, em oposição a outros tranquila e confiantemente arrolados como evidentes compostos. (é questão delicada que constitui floresta virgem na investigação acadêmica) a dificuldade começa entre os próprios ortógrafos e textos oficiais com a discordância em assinalar aqueles compostos que “em certa medida” perderam a noção de composição; para uns está nesse caso paraquedista; para outros, impõe-se aqui grafia com hífen. (O ESTADO DE SÃO PAULO, (SP) 01/02/2009).

Como já vimos, o próprio Evanildo Bechara, filólogo e gramático, Coordenador da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da Academia Brasileira de Letras, afirma que “o hífen é o maior problema, porque a ele cabia uma série de funções e o acordo simplificou o seu emprego. As regras são mínimas”. (BECHARA, In: AGÊNCIA Estado, 2009). Isso corrobora a idéia de que as dificuldades impostas pelo emprego do hífen, advêm dos próprios ortógrafos. No entanto, a nosso ver, como o próprio Bechara assinala, as regras quanto ao uso do hífen foram reduzidas, simplificando o seu uso e, consequentemente, tornando as regras mais fáceis em relação às regras anteriores, uma vez que, eram mais amplas.
Quanto à minguada lista de exceções dos compostos aglutinados, para ampliá-la, o texto do acordo poderia ter incluído os possíveis derivados das exceções com o aval do acordo, como nos é sugerido

se estavam lado a lado paraquedas, paraquedista, poderia-se-iam acrescentar paraquedismo, paraquedístico; ao lado de pontapé, pontapear e pontapezinho. A outra fonte de acréscimo (...) [poderia vir] da tradição ortográfica, vigente nos dicionários e vocabulários portugueses e brasileiros: bancarrota, cantochão, clarabóia, montepio, passatempo, passaporte, rodapé, santelmo, varapau, entre outros. (O ESTADO DE SÃO PAULO, (SP) 01/02/2009).

Quanto à questão dos derivados, talvez não fosse tão necessário, uma vez que, o leitor inteligente, facilmente deduz. Achamos bastante pertinente a segunda medida referente à tradição ortográfica.
Porém, medidas já foram tomadas para resolver a normatização da Base XV, em que há prudência e vacilação do texto do acordo ao empregar “certos compostos”, “em certa medida” e exemplificar com seis exceções apenas. Dentre as medidas tomadas estão

1) só considerar exceções os compostos explicitados pelo acordo; 2) ampliar a lista com os derivados desses mesmos compostos (por exemplo: girassolzinho, madreperolado, mandachuvismo, pontapear, paraquedismo, paraquedístico); 3) ampliar a lista com os compostos aglutinados, (...) (por exemplo: abrolhos, fidalgo, montepio, bancarrota, cantochão, catassol, clarabóia, lobisomem, passaporte, pinciné / pincinê, rodapé, salsaparrilha, santelmo, valhacouto, varapau, vinagre). (BECHARA, In: Estadão, 2009).

Muito prudente essa medida, uma vez que as palavras como rodapé, passatempo, passaporte etc., não sendo assinaladas na relação de exceções, dava-nos a entender que eram hifenizadas.
Nos compostos com os elementos além, aquém, recém e sem sempre haverá hífen, por exemplo: além-mar, aquém-mar, recém-chegado, sem-teto, sem-vergonha.
As locuções, em geral não são acentuadas, e o novo texto ortográfico elimina o hífen das locuções “sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais”. (6.º, BASE XV). No entanto, o acordo excetua as já consagradas pelo uso, como é o caso de água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, etc. a supressão do hífen nas locuções são bem-vindas, pois simplifica e facilita o uso. Nesse caso, as exceções acabam complicando.
O hífen também é empregado nos encadeamentos vocabulares, ou seja, nos encadeamentos ocasionais em que não formam vocábulos como é o caso de: ponte Rio - Niterói, ligação Angola-Moçambique, percurso Lisboa-Coimbra-Porto, etc.
Quanto ao emprego do hífen nos compostos, locuções e encadeamentos vocabulares (base XV) a Nota Explicativa do Acordo (item 6.2, p. 30) afirma que se manteve “o que foi estatuído em 1945, apenas se reformulando as regras de modo mais claro, sucinto e simples”, e ainda nos diz que quanto ao uso do hífen, não há divergências significativas entre a ortografia brasileira e a lusitana. No entanto, os autores da nota afirmam que ao lerem dicionários, revistas e jornais brasileiros e portugueses, encontraram grafias duplas, oscilando entre o uso e o não uso do hífen entre as duas ortografias. Ainda, segundo a mesma nota (6.1, p. 29) “estas oscilações verificam-se, sobretudo nas formações por prefixação e na chamada recomposição, ou seja, em formações com pseudoprefixos de origem grega ou latina”.
Como já dissemos, o novo texto ortográfico tem gerado polêmica, mesmo não sendo muitas as mudanças propostas, no entanto, muitas críticas são merecidas pois

há pontos que ainda precisam ser esclarecidos, explicados ou reformulados. Um exemplo são palavras como passatempo (que não tem hífen) e tira-teima (que possui hífen atualmente). Não há uma definição concreta se essas palavras terão ou não hífen. Segundo o Acordo Ortográfico, o hífen desaparecerá quando há perda da noção da composição de duas ou mais palavras, porém ainda é um tema obscuro para muitos lingüistas. (QUEIROZ, online, 27/01/09).


O hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação (base XVI)

O uso do hífen nas formações por prefixação ou por falsos prefixos de origem grega ou latina, apresenta alguma inovação, segundo a Nota Explicativa do Acordo, que simplifica as regras quanto a esse caso

a) emprega-se o hífen quando o segundo elemento da formação começa por h ou pela mesma vogal ou consoante com que termina o prefixo ou pseudo- prefixo (por exemplo: anti-higiênico, contra-almirante, hiper-resistente);
b) emprega-se o hífen quando o prefixo ou falso prefixo termina em m e o segundo elemento começa por vogal, m ou n (por exemplo: circum-murado, pan-africano. (NOTA EXPLICATIVA DO ACORDO, ANEXO II, item 6,3,p. 30).
Bonino (2009) faz alguns questionamentos sobre o emprego do hífen: “pelo acordo, nas formações em que o prefixo termina em vogal diferente, o hífen cai. Mas e as que terminam com consoantes iguais, como ‘sub-bloco’, ou ‘sub-base’, por exemplo? Elas vão ficar com um duplo b, tipo ‘subbloco’ e ‘subbase’? Não há menção no acordo” (BONINO, online, 01/01/2009).
No entanto, mesmo o Acordo Ortográfico não mencionando que devemos usar o hífen quando o segundo elemento começar pela mesma consoante com que termina o prefixo ou o falso prefixo, a Nota Explicativa do Acordo menciona, como vimos acima. Assim, de acordo com essa nota sub-base e sub-bloco, devem ser grafadas com hífen.
O prefixo “co” é uma exceção à regra “em que o prefixo ou falso prefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento: anti-ibérico, contra-almirante, infra-axilar (...)” (ITEM b, 1.º, BASE XVI), pois “aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, etc.”. (OBS.: ITEM b, 1.º, BASE XVI). No entanto, a palavra re-escrever, com as mesmas semelhanças de cooperar e também consagrada pelo uso, é grafada com hífen.
As unidades lexicais como ex-, sota-, e soto-, vice-, e vizo-, pós-, pré-, e pró-, permanecem hifenizadas. Exemplos: ex-marido, vice-diretor, soto-mestre, pré-natal, pós-graduação, pró-europeu. No entanto, nos prefixos pós-, pré-, e pró-, essa regra só é válida “quando o segundo elemento tem vida à parte (ao contrário do que acontece com as correspondentes formas átonas que se aglutinam com o elemento seguinte”. (ITEM f, 1.º, BASE XVI), como por exemplo, pospor, prever e promover.
Procuramos sintetizar o não emprego do hífen tendo como base a Nota Explicativa do Acordo que faz da seguinte maneira

a) nos casos em que o prefixo ou o pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, estas consoantes dobram-se, como já acontece com os termos técnicos e científicos (por exemplo: antirreligioso, microssistema);
b) nos casos em que o prefixo ou o pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente daquela, as duas formas aglutinam-se, sem hífen como já sucede igualmente no vocabulário cientifico e técnico ( por exemplo: antiaério, aeroespacial).
(NOTA EXPLICATIVA DO ACORDO, ANEXO II, ITEM 6.3, p. 30).

A duplicação da consoante r ou s se justifica pelas razões que já conhecemos. Como sabemos se aglutinarmos palavras como contra-regra e anti-semita sem duplicarmos essas consoantes, terão pronúncias diferentes, uma vez que o r entre vogais soa fraco, como vibrante alveolar. O mesmo ocorre com o s que intervocálico, som com o som de z, comprometendo, assim, a pronúncia.

O hífen na ênclise, na tmese e com o verbo haver (base XVII)

Quanto ao emprego do hífen na ênclise e na tmese mantém-se, ficando, por exemplo: amá-lo, dá-se, deixa-o, partir-lhe, amá-lo-ei, enviar-lhe-emos. No entanto, nos casos das formas hei de, hás de, hão de, etc., o hífen é suprimido, pois “nestas formas verbais o uso do hífen não tem justificação, já que a preposição de funciona ali como mero elemento de ligação ao infinitivo com que se forma a perífrase verbal (cf. hei de ler, etc.), na qual de é mais proclítica do que apoclítica”. (ibidem, item 6.4, p. 30)
Nas ligações de formas pronominais enclíticas ao advérbio eis, eis-me, ei-lo e nas combinações de formas pronominais do tipo no-lo, vo-las, em próclise por ex.: esperamos que no-lo comprem (obs.: 2, 2.º , base XVII) usa-se o hífen

Considerações finais

Mesmo tendo o texto do Acordo tentado tornar o emprego do hífen mais racional e simples, o seu uso ainda causa muitas dúvidas. Merecedor de críticas, o Acordo não dará conta da complexa língua portuguesa. Sendo, portanto, necessária a sua revisão, pois como sabemos, o objetivo do texto ortográfico justifica-se, embora, seja difícil de ser alcançado. Assim é que concordamos com Bechara (In: Estadão, 24/01/09) ao afirmar que

cabe aos representantes das duas Academias e aos especialistas estudar-lhes as normas aprovadas e dar-lhes condições técnicas para que seja alcançado o propósito dos signatários do acordo, qual seja ‘um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional.

A própria Nota explicativa do Acordo Ortográfico da língua Portuguesa (1990), anexo II, por uma série de razões também é merecedora de crítica, pois contém deficiências técnicas e é cheia de problemas.
Assim, concluímos que, embora sejam boas as intenções do acordo, ele precisa ser reviso, tendo, pois que considerar a opinião de especialistas e também dos maiores interessados, os usuários. Os critérios para a normatização do hífen levaram em consideração o uso das ortografias brasileira e lusitana, desconsiderando os demais países falantes da língua portuguesa. Assim, verificaram que havia grafias duplas quanto ao uso do hífen, especialmente no que se refere à formações por prefixação ou por falsos prefixos, precisando, pois, de uma melhor sistematização. Dessa forma, o emprego do hífen no acordo, mesmo contendo alguns problemas, tornou-se mais simples, o que não garante que deixará de haver confusões na hora de usá-lo.

Referências Bibliográficas


BECHARA, Evanildo. O hífen é o maior problema, por Felipe Branco Cruz – Agência Estado Bem Paraná. Disponível em: http://www.mundovestibular.com.br/articles/5864/ 1/0-hífen-e-o-maior-problema-do-acordo-ortografico/paacutegina1.html.


_____________ Penetrando no texto do acordo ortográfico. Publicado no Estadão online em 24/01/2009, às 19:33 e disponível em http://www.estadão.com.br/vidae/not vid312404, o.htm.


BONINO, Raquel. Acordo Ortográfico: o que muda na língua portuguesa a partir de 2009. disponível em : http://juarezfrmno2008sp.blogspot.com/2008/08/o-emprego-do-hi
fen-com-o-novo-acordo.html.


NOTA EXPLICATIVA DO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA (1990). ANEXO II (O emprego do hífen, bases XV a XVII, 29 a 31). Postado por silviaaraujomota às 20.04.09. Disponível em http://clubedalinguaport. blogs pot.com/2009/04/5–sistema-de-acentuação-gráfica – bases.html.


QUEIROZ, Virgínia. O Acordo Ortográfico: o emprego do hífen. Publicado em 27/01/2009 e disponível em http://www.reagente.com/virginia-queiroz/o-acordo-ortográfico-o-emprego-do-hífen-/


S. PAULO, O Estado de, (SP). Empregos do hífen após o acordo ortográfico. Publicado em 01/02/2009. Disponível em
http://www.academia.org.br/abl/egi/egilua.exe/sys/start.
htm?infoid+8647&sid+627&fpl+prinnter-view.

“A questão da acentuação gráfica no Acordo Ortográfico”




Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA
Pró-Reitoria de Educação Continuada –PROED
Curso de Especialização em Língua Portuguesa e Literatura
Disciplina: Ortografia e o Ensino do Português
Professor: Ms. Vicente Martins





“A questão da acentuação gráfica no Acordo Ortográfico”


Joziane Paulo Albuquerque Lima


















Sobral, maio de 2009.
“A questão da acentuação gráfica no Acordo Ortográfico”

Joziane Paulo Albuquerque Lima

O presente artigo trata da acentuação gráfica no Acordo Ortográfico. Assim dispõe de alguns objetivos como: apresentar e discutir o sistema de acentuação gráfica no novo Acordo; explicar, de maneira simplificada, o Acordo, no que se refere ao emprego ou não dos acentos gráficos; analisar os critérios para a supressão ou a manutenção de certos acentos gráficos, bem como os casos de acentuação dupla na língua portuguesa. A idéia central desse estudo é discutir as razões de certas atitudes dos responsáveis pelo novo Acordo e suas justificativas apresentadas para explicar o uso ou não da acentuação gráfica em nossa língua.

O Novo Acordo Ortográfico

O Novo texto do Acordo Ortográfico da língua portuguesa, em vigor desde janeiro de 2009, tem causado uma série de discussões e polêmicas entre os falantes desta língua. Sendo ideal que tais discussões e polêmicas tivessem sido debatidas antes de ser aprovado pelas esferas governamentais.
De acordo com a Nota Explicativa do Acordo, Anexo II “O sistema de acentuação gráfica do português atualmente em vigor, extremamente complexo e minucioso, remonta essencialmente à Reforma Ortográfica de 1911”. Embora a reforma de 1986 tenha defendido a abolição dos acentos nas paroxítonas e proparoxítonas, e assim, quase se deixava de usar acentos, o Acordo de 1990, apenas elimina em alguns casos. Reconhecendo, dessa maneira, a importância dos acentos gráficos que, entre outras finalidades serve para “indicar a correta sílaba tônica para os falantes nativos e estrangeiros que não desejam ou não podem cometer erros de pronúncia” (BECHARA, 2009, In: ESTADÃO, online, 24 de janeiro). Além de “assinalar a tonicidade das vogais sobre as quais recaem os acentos gráficos, distingue também o timbre destas” (NOTA EXPLICATIVA DO ACORDO – ANEXO II). Assim é que se sabe se uma palavra deve ser pronunciada de forma aberta ou fechada.

Acento tônico e acento gráfico

Ao falar de acentuação, cabe fazer a distinção entre acento tônico e acento gráfico. Quase todas as palavras da língua portuguesa apresentam uma sílaba que é pronunciada com mais força, isto é, uma sílaba tônica. Assim, a grande maioria das palavras de nossa língua possui acento tônico, ou seja, o “que corresponde à maior intensidade sonora com que se pronuncia certa sílaba – a sílaba tônica” (CEREJA, e MAGALHÃES, 1999, p. 66). Enquanto que, um número bem menor, mas significativo, possui sinal gráfico, o “sinal utilizado para indicar a sílaba tônica de certas palavras” (ibidem). Dessa maneira, algumas perguntas são bastante pertinentes: Em quais palavras deve se usar o sinal gráfico? Que regras norteiam o uso o não do acento gráfico? Qual é a importância da acentuação gráfica para a leitura e a escrita do português?

A acentuação gráfica

Como se sabe, existem regras que norteiam o emprego ou não da acentuação gráfica. Embora sejam complexas, é possível entender, na maioria dos casos, os princípios de tais normas. Pode-se tentar compreendê-las a partir do que afirma o professor Kury

Examine, leitor, os objetos que o cercam e verifique um fato que vai ter importância para você compreender o porquê da nossa acentuação gráfica: os vocábulos que os designam, em sua grande maioria, terminam nas vogais a, e, o e são paroxítonas (...) com base nessa estatística, estabeleceu-se um dos princípios da nossa acentuação gráfica: os paroxítonas terminados em – a, - e, o (seguidos ou não de s), por serem os vocábulos mais freqüentes em nossa língua, dispensam acento indicador da sílaba tônica. (KURY, apud, DE NICOLA, 2005, P. 40).

Assim, entende-se que a maioria das palavras em português, que são paroxítonas, não recebe, em geral, acento gráfico.
A importância do sistema de acentuação gráfica da língua portuguesa não está apenas em assinados a tonicidade das vogais sobre as quais recaem os acentos gráficos, mas também em distinguir o timbre com que são pronunciadas as palavras. E também em “evitar confusões quanto à leitura e à compreensão de certas palavras, principalmente quando têm a mesma grafia” (CEREJA, e MAGALHÃES, 1999, p. 66).
No entanto, essa idéia de que o acento gráfico serve para facilitar a compreensão de palavras homógrafas, é invalidado pelo novo Acordo.

A supressão de acentos gráficos nas oxítonas e paroxítonas

O novo texto ortográfico, com o objetivo de unificar a língua portuguesa para que alcance prestígio internacional, eliminou alguns acentos, cuja finalidade era distinguir palavras homógrafas. Assim, as palavras “cor (ô), substantivo e cor (ó), elemento da locução de cor; colher (ê), verbo, e colher (é), substantivo”, (3.º da base VIII do novo Acordo), que no Brasil, já não se usava acentuação gráfica, não devem ser acentuadas graficamente. Porém, excetua-se a forma verbal pôr, que recebe o acento gráfico, para distinguir da preposição por. Por que razões não deixam de se acentuar a forma verbal pôr? Talvez ele devesse desaparecer, pois, um dos critérios utilizados para suprimir o acento de palavras de mesma grafia é que dá para compreendê-las pelo contexto. Por acaso não é possível, pelo contexto, também distingui-las?
O mesmo ocorre com as paroxítonas em que o novo Acordo (9.º e 10.º, da base IX) dispensa o uso seja do acento agudo, seja do circunflexo, cuja função é a distinção das palavras homógrafas: “para (á), flexão de parar, e para, preposição; pela (s) (é), substantivo e flexão de pelar, e pela(s), combinação de por e la (s); pelo (é), flexão de pelar, pelo (s) (é), substantivo ou combinação de per e lo (s); polo (s) (ó), substantivo, e polo (s), combinação antiga e popular de por e lo (s); etc.” (9.º, base IX).
Da mesma forma, extingue-se o acento gráfico das palavras paroxítonas homógrafas heterofônicas cuja função do acento era distingui-las. Assim é que não são acentuadas graficamente palavras como

Acerto (ê), substantivo, e acerto (é), flexão de acertar; acordo (ô), substantivo, e acordo (ó), flexão de acordar; cerca (ê) substantivo, advérbio e elemento da locução prepositiva cerca de, e cerca (é), flexão de cercar; coro (ó), substantivo, e flexão de corar; deste (ê), contração da preposição de com o demonstrativo este, e deste (é), flexão de dar; fora (ô), flexão de ser, ir; e fora (ó), advérbio, interjeição e substantivo; piloto (ô), substantivo, e piloto (ó), flexão de pilotar, etc. (10, base IX).

No nosso caso, no português brasileiro já não se acentuava graficamente estas paroxítonas. Assim, vê-se que é plausível a não acentuação de tais palavras, uma vez que, segundo a “Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”. O anexo II do Acordo

a supressão de tais acentos se justifica pela coerência com a abolição do acento gráfico já consagrada pelo Acordo de 1945, em Portugal, e pela Lei n.º 5.765, de 18/12/1971, no Brasil, em casos semelhantes (...) [e] porque, tratando-se de pares cujos elementos pertencem a classes gramaticais diferentes, o contexto sintomático permite distinguir claramente tais homógrafas.

No entanto, como já foi dito, o acento diferencial, quase abolido de vez, está reduzido a acento obrigatório no verbo “pôr”, e “pôde (3.ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo), no que se distingue da correspondente forma do presente do indicativo (pode)” (OBS.: DO ITEM a, 6.º, BASE IX) e é facultativo em “dêmos”, forma do conjuntivo do verbo “dar e fôrma, substantivo, para distinguir de forma (substantivo; ou do verbo formar). Dessa maneira, se o objetivo do acordo é simplificar a língua, seria mais coerente eliminar de vez o acento diferencial. Assim, concorda-se com as palavras de Alves (2005) em um artigo publicado na internet “não percebo a necessidade de acento em ‘dêmos’ e em ‘fôrma’. O primeiro não se usa no Brasil ao contrário do que sucede em Portugal. O segundo só se usa no Brasil. Serão estes acentos o resultado de cedências mútuas como existem em todas as negociações? Felizmente, são facultativos. Não espero usá-los”. Igualmente, também não é necessário acentuar graficamente as formas verbais “pôr” e “pôde”, uma vez que o primeiro destina-se a distinguir-se da preposição por e, portanto, de classes gramaticais diferentes, podendo, pelo contexto sintático, ser diferenciadas. O segundo, embora pertença a mesma classe gramatical (pode, pôde) pode, também ser diferenciada pelo contexto.
De acordo com o novo texto ortográfico não se acentua graficamente os ditongos ei e oi tônicos das paroxítonas. Palavras como assembleia, ideia, heroico, jiboia, paranoico, etc, passarão a ser escritas sem o diacrítico. A supressão dos acentos nessas palavras se justifica pelo fato de palavras como comboio, dezoito, estroina, etc, em que há oscilação de timbre, sendo facultativo o emprego do acento agudo no Brasil. Dessa maneira, eliminando-se os acentos nesses casos permite

Eliminar uma diferença entre a prática ortográfica brasileira e a lusitana, mas ainda pelas seguintes razões:
A) Tal supressão é coerente com a já consagrada eliminação do acento em casos de homografia heterofônica (...)
B) No sistema ortográfico português não se assinala, em geral, o timbre das vogais tônicas a, e e o das palavras paroxítonas, já que a língua portuguesa se caracteriza pela sua tendência para a paraxitonia (...) (NOTA EXPLICATIVA DO ACORDO, ANEXO II).

Como se vê, o uso do diacrítico para assinalar a abertura dos ditongos ei e oi nas paroxítonas constitui um empecilho à unificação ortográfica, já que o timbre nem sempre é o mesmo entre as duas ortografias, sendo que, como já foi explicado, o acento, nesses casos, torna-se dispensável.

Supressão em paroxítonas terminadas em “oo”

O acento também é dispensado em paroxítonas terminadas em “oo” como nas palavras enjoo, povoo, voo, etc. (8.º, BASE IX), pelas mesmas razões das paroxítonas já citadas. Na Nota Explicativa do Acordo, anexo II lê-se

o uso do acento circunflexo não tem aqui qualquer razões de ser, já que ele ocorre em palavras paroxítonas cuja vogal tônica apresenta a mesma pronúncia em todo o domínio da língua portuguesa. Além de não ter, pois, qualquer vantagem nem justificação, constitui um fator que pertuba a unificação do sistema ortográfico.

Pelas mesmas razões, suprimiu-se os diacríticos das paroxítonas verbais que têm um e tônico oral fechado em hiato com a terminação – em da 3.ª pessoa do plural do presente do indicativo do conjuntivo: creem, deem, descreem, desdeem, leem, preveem, redeem, releem, reveem, tresleem, vêem (7.º, da BASE IX).
No entanto, são grafadas com o acento circunflexo as formas verbais têm e vêm plural, para distingui-las do singular tem, vem, que foneticamente são paroxítonas. Acentuam-se graficamente as formas correspondentes abstêm, advêm, contêm, convêm, detêm, mantêm, etc. para diferenciar das suas respectivas formas de 3.ª pessoas do singular.
Abstraiu-se o acento agudo nas vogais tônicas escritas com i e u quando paroxítonas, precedidas de ditongo como em feiúra, baiúca, maioismo.
Os verbos arguir e redarguir não são graficamente acentuados nas formas rizotônicas arguo, arguis. Também os tipos verbais averiguar, desaguar, enxaguar, delinguir e afins têm dupla pronúncia podem ou não receber acento gráfico: averíguo / averiguo, enxáguas / enxaguas, delínquo / delinquo. O uso nesse caso é facultativo. Quanto ao emprego do acento grave, nada mudou, continuam as mesmas regras.
Suprimiu-se os acentos gráficos das palavras derivadas como nos advérbios em – mente, derivados de adjetivos com acento agudo ou circunflexo como em avidamente de ávido, debilmente de débil, facilmente de fácil, etc. é importante salientar que no Brasil, não se empregava mais os acentos nessas palavras, no entanto eram utilizados pelos portugueses. A supressão se justifica porque seria um empecilho à unificação ortográfica. Igualmente, abstraíram-se os diacríticos de palavras derivadas que contêm o sufixo iniciados por z e cujas formas de base apresentam vogal tônica com acento agudo ou circunflexo como em aneizinhos, avozinha, avozinho, lampadazinha, pessegozito, etc. Também estas palavras já não eram acentuadas graficamente no português brasileiro.

A dupla Acentuação

Como se sabe, existem significativas diferenças entre a pronúncia do português brasileiro e o de Portugal. Essas diferenças constituem um dos maiores obstáculos para a unificação de nossa língua. Embora, muitos compartilhem da idéia de que “estão destinadas ao fracasso mudanças ortográficas que tentem uniformizar grafias que correspondem a claras diferenças de pronúncia” (ALVES, 2005), o texto ortográfico se propõe a unificar as grafias sem mudar a pronúncia das palavras. Isso decorre em respeito aos falantes nativos, uma vez que, não se deve interferir na maneira de falar das pessoas, pois seria um atentado contra o seu patrimônio individual, que constitui a sua identidade.
As divergências no que diz respeito à acentuação gráfica entre as duas realizações da língua, naturalmente surgem, exigindo, assim, soluções. Para procurar resolver essa questão, tinham-se duas opções: uma era conservar a dupla acentuação, que, como já foi dito, compromete a unificação ortográfica, a outra era abolir os acentos gráficos, mas tal solução foi amplamente contestada por uma significativa parcela da opinião pública portuguesa, que foi logo descartada. Assim, após vários estudos, optou-se pela dupla acentuação, sendo que se uma vogal tônica é pronunciada aberta, recebe acento agudo; se soa fechada, grafa-se com acento circunflexo. Dessa forma, o acordo ortográfico estabelece ortografias duplas para certo número de palavras, isto se verifica tanto nas oxítonas como nas paroxítonas e proparoxítonas. Os casos de dupla acentuação são um dos mais criticados. Assim, lê-se em Emiliano (2008) “um dos aspectos mais atrozes do Acordo Ortográfico de 1990, a consagração de grafias duplas (que em determinadas palavras e combinatórias resulta em multigrafias) - aspecto que põe em causa a subsistência do próprio conceito de ortografia”. Ainda, segundo o autor, no mesmo texto publicado online, em que se faz severas críticas ao acordo, talvez por ser português e muito apegado a tradição, o Acordo Ortográfico

pelo simples facto de consagrar a existência de grafias duplas de forma irrestrita, constitui atentado grave contra a integridade do conceito de ortografia, logo, atentado contra a qualidade do ensino e contra o desenvolvimento. A ortografia não é apenas patrimônio cultural do povo português: sendo um sistema de codificação da língua escrita, o domínio da ortografia é a ferramenta que dá acesso a toda as áreas do saber. A Estabilidade ortográfica é, portanto, um bem que importa preservar: pôr em causa a estabilidade ortográfica é atentar contra a qualidade do ensino, contra a integridade do uso da língua e contra o desenvolvimento cultural e cientifico do povo português. (ibidem).

Embora tenha razões em alguns pontos, cabe reconhecer que há certos exageros e que, várias mudanças já ocorreram na língua portuguesa e não comprometeram o desenvolvimento cultural, intelectual e científico de seus falantes.

A dupla Acentuação nas oxítonas

Nas oxítonas (obs.: a, 1.º da base VIII), encontra-se algumas divergências de timbre em umas poucas palavras

terminadas em e tônico, geralmente provenientes do francês, esta vogal, por ser articuladas nas pronúncias cultas ora como aberta ora como fechada, admite tanto o acento agudo como o acento circunflexo: bebé ou bebê, bidé ou bidê, canapé ou canapê, caraté ou caratê, choché ou chochê, guiché ou guichê, matiné ou matinê, nené ou nenê, ponjé ou pongê, puré ou purê, rapé ou rapê.

Existe um caso ou outro de oxítonas terminadas em o que ora soa aberto, ora fechado como cocó ou cocô, ró ou rô. Como já foi mencionado, a dupla acentuação se justifica em razão das divergências entre pronúncias do português brasileiro e o europeu, sendo essa medida a mais viável para os responsáveis pelo Acordo.

A dupla Acentuação nas paroxítonas

Como já se sabe, as paroxítonas não são em geral acentuadas, sendo poucas palavras que recebem o acento gráfico. Os casos especiais de dupla acentuação também ocorrem nas paroxítonas, uma vez que, apresentam oscilações de timbre. Assim sendo, podem receber tanto o acento agudo como o circunflexo como nos casos citados no acordo (obs.: a, 2.º da base IX) “sémen, e sêmen; xéron e xêron, fémur e fêmur; vómer e vômer; fénix e fênix, ónix e ônix”. O mesmo ocorre com as paroxítonas que se pronunciadas abertas, recebem o acento agudo e, pronunciadas fechadas, grafam-se com o circunflexo: pónei e pônei; gónis e gônis; pénis e pênis; ténis e tênis; bónus e bônus; ónus e ônus; tónus e tônus; vénus e vênus. Essas oscilações ocorrem em poucas paroxítonas em que apresentam vogais tônicas grafadas com e e o em fim de sílaba, seguidas das consoantes nasais grafadas m e n. Os casos de dupla acentuação nas paroxítonas são justificadas pelas mesmas razões das oxítonas.

A dupla Acentuação nas proparoxítonas

O acordo ortográfico estabelece também ortografias duplas para certo número de palavras proparoxítonas. Todas as proparoxítonas são graficamente acentuadas, levando acento agudo, quando a vogal é pronunciada aberta e acento circunflexo quando soa fechado. No caso da acentuação dupla, transcreve-se a seguir:

Levam acento agudo ou acento circunflexo as palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas vogais tónicas/ tônicas grafadas e ou o estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais grafadas m ou n, conforme o seu timbre é, respectivamnete, aberto ou fechado nas pronúncias cultas da língua: académico / acadêmico, anatómico / anatômico, cénico / cênico, cómodo / cômodo, fenómeno / fenômeno, género / gênero, topónimo / topônimo, Amazónia / Amazônia, António / Antônio, blasfémia / blasfêmia, fémea / fêmea, gémeo / gêmeo, génio / gênio, ténue / tênue. (3.º, BASE XI).

As divergências decorrentes das vogais tônicas e e o seguidas das consoantes nasais m e n com as quais aquelas não formam sílaba, ocorrem porque em Portugal e em países africanos são pronunciadas abertas e no Brasil soam fechadas.
É interessante fazer a distinção entre proparoxítonas reais e proparoxítonas aparentes. As “esdrúxulas reais são palavras que não são esdrúxulas aparentes, como, por exemplo, ‘matemática’, que tem a divisão silábica ‘ma-te-má-ti-ca’”. (ALVES, 2005). Enquanto que uma palavra é esdrúxula aparente quando

Termina com um ditongo crescente. Um ditongo é um conjunto de duas vogais que pronunciam numa única emissão de voz, como, por exemplo, “oi” em “dói” e “ão” em mão”. Ditongos decrescentes são aqueles em que a primeira vogal é mais saliente que a segunda. Serve de exemplo “oi” em “moita”. Nos ditongos crescentes sucede o contrário – a segunda vogal sobressai relativamente à primeira. (ibidem).

São exemplos de proparoxítonas ou esdrúxulas aparentes, ou seja, terminadas em ditongos crescentes: náusea, glória, barbárie, amêndoa, Amazônia, argênteo, mântua, etc. Mesmo sendo aparentes, são proparoxítonas e por isso devem ser acentuadas.
No entanto, ao tratar da acentuação dupla, existe exceção, por exemplo, cômoro, sêmea e sêmola não existem duas formas de grafarem essas palavras. Há que atentar para a palavra fêmea, que segundo o acordo, admite dupla acentuação, no entanto, segundo Alves (2005), a palavra fémea não existe em nenhum dicionário, não tendo assim ortografia dupla.

Considerações finais

A questão das grafias duplas, mesmo sendo severamente criticada, Alves (2005) escreve “na minha opinião, o acordo de 1990 é equilibrado e tem cedências de todas as partes. Uniformiza o que é possível uniformizar. Não humilha ninguém”. É de se reconhecer que os acentos auxiliam a aprendizagem de novas palavras, de termos técnicos e científicos, e que a sua eliminação ou opção por um único acento, prejudicaria e comprometeria o modo de escrever, falar e se comunicar em Língua Portuguesa, especialmente, para os já falantes dessa língua. Então, a acentuação dupla foi a solução menos onerosa encontrada pelos ortógrafos. Mesmo tendo os acentos a sua importância, há quem concorde e defenda a sua eliminação, achando que no futuro isso é o que irá ocorrer.
Procurou-se nesse artigo, analisar os casos mais especiais referentes ao sistema de acentuação gráfica no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990), especialmente as bases VIII a XIII. Os casos mais comuns e que não sofreram alterações não foram discutidos nesse estudo. Como se viu, o sistema de acentuação gráfica deve ser discutido e debatido, pois é merecedor de críticas, no entanto, admite-se que as mudanças ocorridas são decorrentes de boas intenções de lingüistas, cujo objetivo é unificar as ortografias da língua portuguesa.

Referências Bibliográficas


ALVES, João Manuel maia. Acordo Ortográfico: Esdrúxulas com divergências. Disponível em santric@sapo.pt e santric e 8@gmail.com. Escrito em 2005.


CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação. São Paulo: Atual, 1999.


EMILIANO, António. Acordo Ortográfico: pareceres ignorados, deveres do Estado e direitos dos cidadãos. Disponível em http://revistaautor.com/index.php?option=com_content&task= view&id=259&Itemid=1-Setembro de 2008.


GRÁFICA, Sistema de Acentuação (Bases VIII a XIII) – anexo II – Nota Explicativa do Acordo ortográfico da Língua Portuguesa (1990). Postado por silviaaraujomota às 20.04.09. Disponível em http://clubedalinguaport.blogspot.com/2009/04/5–sistema-de-acentuação-gráfica – bases.html.


KURY, Adriano da Gama. Apud DE NICOLA, José. Português: ensino médio, volume I. São Paulo: Scipione, 2005.

VOCABULÁRIO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA




UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ-UVA
CENTRO De LETRAS E ARTES
DISCIPLINA: PRÁTICA DE PESQUISA

PROFESSOR: VICENTE MARTINS
CURSO: LETRAS HABILITAÇÃO Em LÍNGUA PORTUGUESA


PRÁTICA DE PESQUISA

ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA

FRANCISCA ACIZA MARQUES VASCONCELOS

FRANCISCA LUANA FEIJÃO VASCONCELOS

JACKSON MONTEIRO VASCONCELOS

MARIA DO SOCORRO RODRIGUES

MOÉSIO MUNIZ LOPES



SOBRAL-CE
MAIO- 2009
BASE I
PALAVRAS DA BASE I PRESCRITIVAS.
2° a) Darwinismo – Do ing.darwinism, do antr. Charles Darwin (1809 – 1882), naturalista inglês – sm. ‘teoria biológica de Darwin sobre a evolução das epécies’ 1899.
Wagneriano – Do fr. Wagnérien, do antrop. Wilhelm Richard. Wagner (1813 – 1883), célebre compositor alemão wagnerismo sm. (mús.) o sistema musical de Wagner, adj. Sm. ‘ relativo ou pertencente a Wagner’ grande admirador e/ou profundo conhecedor d sua obra séc. XX.
Taylorista – Do fr. Taylorisme ( ou diretamente do ing. Taylorism) deriv. Do antrop. Taylor, de Frederick. W. Taylor, engenheiro e economista norte – americano. Sm. ‘sistema de exploração industrial, séc. XX.
b) kantiano – Do antr. Immanuel Kant ( 1724 – 1804) filósofo alemão/ kantismo sm. ‘doutrina de Kant e de seus discípulos’ 1873/ kantista adj. S2g. “kantiano”. Adj. Sm.’ ‘Relativo a Kant e as suas doutrinas filosóficas’ adepto dessas doutrinas. Séc. XX.
c) potássio- Do latim, científico potassium.
Significado- elemneto de número atômico 19, pertencentes aos metais alcalino, branco prateado, pouco denso e muito molo. ( símbolo K)
Oeste- Do anglo-saxão, West, substantivo masculino.
Significado- Ponto da esfera celeste.
Quilograma- De quil(o)-³ + grama ²; kilogramme; Substantivomasculino
Significado-quilograma- força.
Quilômetro- De quil(o)-3 + metro; fr. Kilomètre; Substantivo masculino. 1. Medida itinerária equivalente a 1.000 metros [símb.: Km]. 2. Bras. Trecho de estrada compreendido entre dois marcos de quilometragem: Trabalha no quilômetro 47 da Rio–São Paulo. [Cf. quilometro, do v. quilometrar.]
3° Fúscsia- Do fr. Fuschsia, termo criado pelo botâmico Charles.
Shakespeariano- (xeisquipi), adjetivo; Substantivo masculino.1. Pertencente ou relativo a William Shakespeare (c. 1564-1616), dramaturgo e poeta inglês, ou próprio dele. 2. Grande admirador e/ou profundo conhecedor da obra de Shakespeare.

BASE II- PRESCRITIVA
a) haver- Do latim, habere. Verdo transitivo direto. Ter, possuir.
Hélice -Adapt. do tax. Helix < fruto=" jiquitibá.">



A ACENTUAÇÃO GRÁFICA DO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO






ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA

SOBRAL - CE
2009




UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ - UVA
CENTRO DE LETRAS E ARTES - CLA
CURSO: LETRAS HABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA
PROFESSOR: VICENTE MARTINS
DISCIPLINA: PRÁTICA DE PESQUISA
EQUIPE: ANA LÚCIA PAIVA FERREIRA DE MESQUITA
DJANE OLIVEIRA DE SOUSA
FRANCISCO EDVALDO EUFRASIO DA SILVA
HELIOMAR DE OLIVEIRA CLARINDO
MARIA CASSIANA FARIAS DA SILVA



REFORMA ORTOGRÁFICA DA LÍNGUA PORTUGUESA


SOBRAL-CE
2009

RESUMO
Com este estudo pôde-se comprovar que a Acentuação Gráfica da Língua Portuguesa atualmente em vigor é extremamente complexa, pois não se limita apenas na tonicidade das vogais em que os acentos recaem, mas na marca que estas distinguem na escrita, em palavras de grafias idênticas, e tonicidades diferentes. Ao longo dos séculos aconteceram várias propostas de unificar a acentuação para que todos falassem igual o mesmo idioma, só agora concordaram, passando a vigorar este, o novo acordo ortográfico, mas com uma limitação exigida oficialmente em todas as áreas, apenas em Janeiro de 2013. Conclui-se então que não só a acentuação gráfica, mas toda reforma ainda gera muita polêmica, porém é normal, afinal a língua e a escrita estão sempre em processo de evolução e cabe a nós acompanhá-las.

PALAVRAS-CHAVE
Acentuação Gráfica, Acordo Ortográfico, Evolução.

O medo do novo, ou pelo menos certa insegurança faz parte do comportamento humano. Novidade, principalmente no contexto social, sempre causa discussões e debates e na língua não poderia ser diferente, pois ao longo da história, esta vem se transformando, e hoje depois de quase um século de discussões, Brasil e Portugal finalmente concordaram em transformar a ortografia da língua portuguesa tendo como objetivo unificar o idioma, de modo que ele seja igual em todos os países que o praticam, também é motivo de debate na nova reforma da acentuação gráfica, principalmente, pois a reforma da margem dá margem a diferentes opiniões.
Como se sabe a acentuação não se limita, em geral, assinalar apenas a tonicidade das vogais sobre as quais recaem os acentos gráficos, mas distinguir também o sinal destas que desde 1911 vem sendo debatida, ao longo do século xx, ou seja em 1971 aconteceram outra propostas de unificar a acentuação gráfica, porém outra reforma ocorrida en1986 era abolir os acentos gráficos, justificando que a língua oral precedia a língua escrita, o que levava muitos que a usa a não empregarem na prática os acentos gráficos, não foi aceita, tento que repensarem essa questão. Como é novidade a reforma ortográfica foi implementada no Brasil, Passando a vigorar este ano, com prazo até 2012 para a adesão total.
Segundo as novas regras do Acordo Ortográfico o que ocorre na acentuação gráfica é que o trema foi inteiramente suprimido, é mantido apenas em nomes estrangeiros e derivados, em hiatos “ee” e “oo”, eliminou-se a acento circunflexo que se usava na primeira vogal, nos ditongos “ei” e “oi” foi eliminado o acento de pronúncia aberta, mas apenas nas palavras paroxítonas, nas oxítonas, o acento é mantido, também é mantido no ditongo aberto “eu”, nas vogais tônicas “ie” e “u” o acento deixa de ser usado nas palavras paroxítonas quando precedidos de ditongo, nas palavras oxítonas, o acento é mantido, o acento também continua quando essas vogais não são precedidas de ditongo, independente da posição do acento tônico. Já nos acentos diferencias, não se usam mais esses acentos em palavras paroxítonas que haviam sido preservados pela reforma de (1971). O acordo, no entanto, manteve o acento diferencial nas palavras (pôr, verbo) e (pôde, terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo), além disso, introduziu, opcionalmente, o acento do substantivo fôrma, para diferenciar de forma.
A nova reforma ortográfica altera apenas alguns porcentos das palavras no Brasil. Cabe a nós deixar a língua evoluir e acompanhá-la.

ETIMOLOGIA DAS PALAVRAS DAS BASES: VIII, IX, X, XI, XII, XIII E XIV

P.14 ITEM 1 A) DA BASE VIII (PRESCRITIVAS)

Está / estás [ do lat. stare ]. Verbo predicativo. Ser em um dado momento;achar-se ( em certa condição ).
Já - [ do lat. jam ] - advérbio; conjunção.
Olá - interjeição - serve para saudar, e também indica espanto, olé.
Até - [ do ár. hatta ] preposição - indica um limite, tempo no espaço ou nas ações; advérbio: ainda,também,mesmo.
É / és - do verbo “ser”. [ do lat. sedere, “sentar-se”, fundido com formas de esse ] verbo predicativo.
Olé - [ do esp. Olé ] . subs. Mas. Bras. Fut. 1 - serie de passes entre jogadores de uma equipe, ou de dribles efetuados por um jogador, e pela qual se exibe virtuosismo e domínio de bola.2 - interjeição - exclamação com que a torcida aplaude essas jogadas.
Pontapé - [ de ponta + pé ] Subs. Mas. 1 - Pancada com a ponta do pé, panázio, chute.
Avó ( s ) . [ do lat. aviola ] Subs. Fem. a mãe do pai ou da mãe [ mas. Avó ]
Dominó - [ de or. incerta; possivelmente relacionadodo ablat. De dominus, “mestre”, “senhor”, extraído de uma formula de oração tal benedicamus domino, “bendizemos ao senhor” ] subs. mas. Conjunto de 28 peças ( pedras ) retangulares, de osso, marfim, plástico ou madeira, com pontos marcados de um a seis, formando várias combinações, e com o qual se joga o dominó.
Paletó - [ do fr. paletot <>

A QUESTÃO DA ACENTUAÇÃO GRÁFICA NO ACORDO ORTOGRÁFICO


UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA
CURSO: Especialização em Língua Portuguesa e Literatura.
DISCIPLINA: Ortografia e o ensino do Português
PROFESSOR: Vicente Martins
ALUNAS: Vaoclécia Maria de Oliveira Silva Araújo
Mariana Júlia Coelho Frota
SOBRAL-CE
2009.





As alterações introduzidas na Ortografia da língua Portuguesa que ocorreu em vários Países incluindo o Brasil, sendo aprovado pelo Decreto Legislativo Nº 54, de 18 de Abril de 1995, levando a língua portuguesa à pretendida unificação ortográfica desses países, ainda está em discussão muitos assuntos, por parte das pessoas, por as regras não serem às vezes claras no entendimento.

O Acordo não é claro em vários aspectos, então sobre a questão da acentuação gráfica também teve suas mudanças, mas como sempre com suas exceções. As regras aparecem algumas vezes de forma rígida e no mesmo instante quebram essa rigidez.

O Trema, sinal de diérese, é inteiramente suprimido em palavras portuguesas ou aportuguesadas. Nem sequer se emprega na Poesia, mesmo que haja separação de duas vogais que normalmente formam ditongo: saudade e não saüdade, ainda que tetrassílabo; saudar, e não saüdar, ainda que trissílabo, etc .

Desta forma, baseando neste ponto de vista, o Trema é para ser realmente exonerado, mas no mesmo instante a própria regra na Base XIV, conserva o Trema em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros como: mülleriano, de Muller e etc.

Assim o acordo deixa a desejar, pois se essa unificação veio para melhorar não era para ter exceções nas regras e nem omissão em alguns pontos no acordo, pois fica de certo modo complicado, ou seja, talvez mas difíceis do que já era.

Ele ficou omisso porque todo acordo é enxuto. Imagine se a lei que estabeleceu que os motoristas devem se submeter ao teste do bafômetro fosse catalogar todos os casos para ser aplicada? A lei é geral. O acordo também é. Dentro dessa filosofia, você também vai aplicar as palavras .

Para Bechara, cada pessoa deve adequar às palavras nas regras, procurar facilitando o estudo. Mas, analisando bem não é só o Trema em questão, há em outras regras muitas mudanças em relação a acentuação gráfica.

Na palavra “para” do verbo parar o acento desapareceu. O “fôrma” é facultativo. Só ficaram dois acentos diferencias obrigatórios. O pretérito perfeito “pode” e o infinitivo “pôr”. Se eu digo a um amigo que estou frequentando a academia para ficar em forma, ninguém vai pensar que estou em fôrma. O problema da ambiguidade é resolvido pelo contexto.

Segundo Bechara, sobre a questão dos acentos diferencias será resolvido o problema pelo contexto, ou seja, o assunto falado. Além disto, ainda consistem outras regras não só da acentuação gráfica como o acordo ao todo, levando as pessoas a falarem das conseqüências econômicas, mas toda mudança tem o seu preço.

Assim, desde a assinatura do presidente Lula da Silva em 1º de Janeiro de 2009 para implementação do acordo ortográfico da língua portuguesa, nós Brasileiros estamos passando por uma fase de constantes dúvidas em relação ao nosso conhecimento no tocante à escrita. Voltamos nós adultos à fase de criança em que sentíamos medo, surpresa e insegurança diante do novo.

A acentuação gráfica é um desses quesitos que tem povoado nossas mentes com dúvidas em inquietações. Aprendemos desde crianças que palavras como: assembléia, heróico, idéia, jibóia, eram acentuadas. Agora, nos ditongos abertos éi e ói, o acento agudo desaparece. No entanto, as oxítonas, palavras com acento na última sílaba, e as monossílabas tônicas terminadas em éi, úi e ói continuam com acento, no singular e, ou no plural. Ex: herói (s).

Afinal, o acento fará diferença no tocante à emoção em que as palavras nos possuem. Será que um ato heróico ( heroico) de decisão de órgãos de sangue, deixará de ter seu significado diminuidor? Ou será que a Jibóia, Jiboia de Pequeno príncipe perderá seu encanto diante de gerações de crianças e adultos ávides por descobrir seus encantos e aventuras.

A questão da acentuação gráfica é como um ser humano que amadurece diante de cada fase do crescimento. Uma questão de aceitação e adequação. Afinal, o que mudou foi à acentuação das palavras e não a sua magia de encantamento.



BIBLIOGRAFIA:


BECHARA, Evanildo. Para Desvendar o Mistério. Extraído da internet: site www.bemparaná .com.br. entrevista de Felipe Branco Cruz. Pesquisa em 04/04/09.


MARTINS , Vicente. Ortografia e o Ensino do Português. P. 17.