quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Desafios, problemas para o ensino da ortografia na educação básica.




José Gilson da Silva Alexandre

Desde muito cedo, ao ingressar na escola o aluno tem como desafio a aprendizagem da escrita e a decodificação das palavras. A escrita que nada mais é que produzir por meio da grafia os sons da sua fala.
Em meio a esse processo surgem algumas dificuldades, que muitas vezes não tem ajudado na aprendizagem desse processo, como a complexidade da relação som-grafema e a existência de uma ortografia única, por exemplo.
A questão do som – grafema trata-se de que muitas vezes, não escrevemos da mesma forma que pronunciamos as palavras, o que pode gerar uma confusão na cabeça doa alunos que estão iniciando o seu processo de alfabetização.
Nesse contexto a ortografia implica em saber quais as letras que correspondem à representação dos sons de uma palavra especifica.
Um outro fator é a questão da existência de uma grafia única, ou seja, diferentes formas de pronunciar uma palavra são representadas na escrita pela mesma forma ortográfica.
Vencida, pois, a etapa da alfabetização inicia-se o aluno nas séries iniciais ou ensino fundamental, onde a ortografia é trabalhada constantemente através de ditados e produções de textos, sendo que ainda nesse tempo escolar, surgem muitas dificuldades por partes dos alunos, dentre as quais podemos citar: grafia errada de muitas palavras, dificuldades em organizar um texto, como a produção de parágrafos, por exemplo.
Segundo os Pcn’s (2001): “de um modo geral, o ensino da ortografia dá-se por meio da apresentação e repetição de regras, com sentido de formulas, e da correção que o professor faz das redações e ditados, seguidas de uma tarefa onde o aluno cópia várias vezes a palavra que escreveu errado. E, apresar de um grande investimento feito nesse tipo de atividades, os alunos – se bem capazes de recitar as regras quando solicitados - continuam a escrever errado”.
O próprio Parâmetro Curricular Nacional reconhece a falha no ensino de ortografia presente na educação básica dos dias de hoje, que a pesar de muitos alunos aprenderem as regras ortográficas, muitas vezes, na hora de colocá-las em pratica tem havido falhas.
Quando muitas vezes ainda nos deparamos com alunos que nem se quer possui um domínio das regras para a escrita das palavras do seu dia-a-dia, o que o torna incapaz de produzir um texto de qualidade, por exemplo, realidade essa bastante freqüente nas escolas, sobretudo, publica do nosso país.
A motivação para a aprendizagem da escrita terá obrigatoriamente que fazer ressaltar este fator de interação comunicativa: escreve-se para se ser lido, para transmitir ao outro aquilo que não poderia ser transmitido de outro modo com a mesma eficácia, mas escrevendo e lendo o que escrevemos aprendemos a pensar.
O professor é sem duvida um fator essencial nesse processo de aprendizagem ortográfica, pois, ele tem o papel de ser facilitador, buscando os melhores meios para contribuir com a memorização e aprendizagem dessas regras conscientizando o leitor da importância da escrita, onde se escreve para que outras pessoas possam lê, por isso, a necessidade de uma escrita coerente e correta.
Ainda tomando por base o trabalho: o ensino da escrita: dimensões gráficas e ortográficas de Adriana Baptista - Fernanda Leopoldina Viana -Luís Barbeiro, gostaria de encerar esse simples artigo trazendo algumas contribuições que podem, sem duvida orientar e trazer dicas para o professor que é o facilitador desse processo de aprendizagem das regras ortográficas.
Segundo o trabalho citado a cima é importante desenvolver a capacidade dos alunos detectarem as incorreções ortográficas: por exemplo, o professor, em relação a uma frase ou passagem do texto, poderá indicar que ela apresenta dois erros ortográficos, devendo o aluno procurar identificá-los;
- proporcionar o contato do aluno com a forma correta de escrever a palavra: esta poderá ser escrita pelo professor ou consultada num material de apoio (listas de palavras, dicionário,etc.) e, no início da aprendizagem ou em casos de maiores dificuldades, o aluno poderá escrevê-la num outro local (no caderno, folha de rascunho, quadro, cartões − ver adiante a tarefa «Observa, esconde, lembra-te, escreve e verifica»);
- procurar que a aluno tome consciência da dificuldade, conduzindo a interação de forma a que ela a explicite, se refira a ela, expresse qual é o problema, recorde regras ortográficas já aprendidas, estabeleça relações de semelhança e de contraste com outras palavras, etc.;
- promover a progressiva autonomia do aluno: para isso deverá ganhar hábitos de consulta e de confirmação da forma de escrever a palavra, recorrendo a instrumentos como listas de palavras, ocorrência da palavra em textos trabalhados anteriormente, dicionário, corretor ortográfico do computador, etc.
Deste modo, estará não apenas a reparar as falhas ortográficas do texto, mas.
também a dirigir a atenção do aluno para a forma correta de escrever a palavra.O trabalho sobre a ortografia pode ter continuidade em momentos posteriores, dedicados especificamente à sua aprendizagem. Assim:
- algumas das palavras que o aluno escreveu incorretamente poderão ser colocadas na lista de palavras difíceis, para trabalho posterior; a escolha das palavras deverá ser feita com a participação do aluno;
- na folha, as listas poderão estar organizadas por conjuntos, agrupando casos semelhantes; a integração num determinado local da folha será efetuada com base na discussão desse aspecto com a criança;
- as listas de palavras difíceis poderão vir a ser objeto de verificação quanto à consolidação da sua aprendizagem, por exemplo, por meio de ditado de palavras difíceis - em associação às palavras, quando for o caso, poderão encontrar-se as regras e os contextos em que estas se baseiam.
O trabalho específico a desenvolver sobre alguns dos erros deverá ter em conta o
processamento a que estão associados. A análise das incorreções ortográficas deverá indicar rumos para a adoção de estratégias a seguir com vista ao desenvolvimento da competência ortográfica.
Com vista à aprendizagem das regras ortográficas, as atividades a desenvolver poderão incluir:
▪ Trabalho sobre os contextos de aplicação das regras: reconhecimento desses contextos;
colocação do grafema correto; decisão sobre qual o grafema a incluir; etc.
▪ Trabalho sobre paradigmas ou conjuntos de palavras com diferentes tipos de informação contextual em que se baseiam as regras (fonológica combinatória e acentual ou morfológica); por ex.: conjuntos de palavras com , com <ç> ou com para a representação de /s/; conjuntos de palavras em que o fonema /u/ final é representado por ;
− construção no caderno de colunas de palavras em que a representação da nasalidade se faz por –m ou por –n, acompanhadas da respectiva regra.
Finalmente chegamos à conclusão de que o ensino de ortografia no educação básica ainda passa por muitas dificuldades e precisa cada vez mais de especialista, capacitados para orientar e superar esses desafios.


Referencias Bibliográficas:

- Adriana Baptista - Fernanda Leopoldina Viana -Luís Barbeiro - O Ensino da Escrita:dimensões gráfica e ortográfica. (internet).

- Ministério da Educação – Parâmetros Curriculares Nacionais – 2001 – 3. ed.


Aluno do professor Vicente Martins no Curso de Especialização em Língua Portuguesa e Literatura na UVA, em Sobral.

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